Quanto vejo um texto assim, simples, objetivo, muito bem escrito, provocativo e lúcido, penso logo "Por que diacho não fui quem o escreveu?" Tarde demais...Então reproduzo...
Ao contrário do que previam alguns arautos do fim do mundo, os europeus ligaram seu grande acelerador de partículas e nenhum buraco negro engoliu o planeta. Espero que ninguém tenha resolvido, no impulso, fazer algo de que vá se arrepender depois, como descer as Cataratas do Iguaçu num barril, gastar todo o dinheiro comprando ações na Bovespa ou declarar voto na Marta Suplicy. Por outro lado, como o mundo ainda gira e a Lusitana ainda roda, não escapei de pagar a taxa de condomínio, que venceu ontem.
Um dos objetivos, talvez o principal, dos cientistas envolvidos no projeto do Grande Colisor de Hádrons é tentar reproduzir a origem do Universo, os momentos imediatamente seguintes ao Big Bang. O que nem todos sabem sobre a tal grande explosão que teria dado origem a tudo isso aqui é que a teoria saiu da cabeça de... um padre belga, monsenhor Georges Lemaître, físico e astrônomo, veterano da Primeira Guerra Mundial, e que dava aulas de batina e tudo. Mas o caso de Lemaître não é o único, já que o pai da genética, Gregor Mendel, era monge; e Nicolau Copérnico, embora nunca tenha sido ordenado padre, ocupava cargos na Igreja, o que não o impediu de desenvolver o heliocentrismo.
Como, até onde se sabe, nem Lemaître, nem Mendel, nem Copérnico perderam a fé por causa de suas teorias, é de se imaginar que religião e ciência talvez não sejam forças opostas, incompatíveis, que vivem se estapeando, como alguns costumam defender – sejam os adeptos da ciência como esclarecedora de toda a realidade, sejam religiosos que vêem a ciência como coisa do diabo. É verdade que a ciência se preocupa mais com os “comos” e a religião, com os “por quês”, mas a colaboração é altamente saudável: entre outras coisas, os cientistas colaboram para acabar com a superstição, e a religião propõe reflexões éticas que impedem a humanidade de passar por uma degringolada dostoievskiana.
Marcio Antonio Campos é jornalista
Gazeta do Povo, Curitiba 11/09/2008
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, maio 22, 2008
De PedroSegundo@edu para Lula@org.br
Estimado patrício, Vosmecê não sabe como vivo bem. Leio os jornais do dia sem ter que esperar os navios que vêm da Europa. Sábado passado o correspondente do “The New York Times” escreveu um artigo sobre a Amazônia, perguntando-se quem é o dono da região. O jornalista definiu como “protecionismo territorial” aquilo que nós, bem como os ianques, conhecemos como soberania nacional. Dias antes, uma folha londrina dissera que os brasileiros precisam entender que a Amazônia é algo muito importante para ser coisa só deles. Na mesma direção já se manifestaram, em anos passados, o presidente comunista francês François Mitterrand e o ex-vice-presidente americano Albert Gore. Durante o meu reinado já prosperava junto aos povos cultos a idéia de que o nosso vale amazônico é ocupado por gente “imbecil e indolente”. Isso dá gravidade ao tema. Não se trata apenas de achar que a Amazônia não é brasileira, mas que, por ser o que é, brasileira não pode ser.
Vossa maçada chama-se meio ambiente. A minha chamou-se “livre navegação”. Remanchei o quanto pude para evitar que embarcações estrangeiras subissem o Amazonas. À época, sofremos enorme pressão internacional, sobretudo americana. Sei que por aí há uns grosseirões que ainda me chamam de “Pedro Banana”, um dissimulado sacerdote do atraso. Quero ser claro: ao lado das sinceras manifestações em defesa do meio ambiente há interessados em mutilar nossa soberania.
Conhecendo minha circunspecção e a maneira como pondero cada palavra, pois os monarcas não devem sair por aí dizendo tolices (os presidente podem), vosmicê avaliará minha preocupação. Quero trazer à memória do patrício uma encrenca do meu tempo.
Em 1850 o governo americano pediu-nos licença para que William Herndon, um oficial de sua Marinha, descesse o Amazonas com uma embarcação tripulada por umas dez pessoas. Falavam em “curiosidade científica” na busca de “conhecimentos geográficos”. Havia na Secretaria dos Negócios Estrangeiros quem quisesse negar a permissão, mas acabamos concedendo-a, pois sempre fui um soldado da ciência.
Outro dia o tenente Herndon me foi apresentado pelo general Vernon Walters. É um careca destemido e carrancudo. Na nossa conversa, voltou a reconhecer que estava atrás de outra coisa. O governo de Washington estudava a possibilidade de transferir a escravaria do Sul dos Estados Unidos para a Amazônia. Iam além: admitiam a possibilidade de instalar no nosso Vale o próprio empreendimento escravocrata americano. Se hoje os americanos falam em “protecionismo territorial”, em 1852 o tenente Herndon falava em “trabalho compulsório” para povoar o protetorado da Amazônia norte-americana.
Dissimule muito, esbraveje pouco, mas não ceda. O que eles querem é a nossa soberania. Em 1867, quando eu abri a navegação do Amazonas, os americanos não tinham mais escravos, pois a guerra civil acabara dois anos antes.
Despeço-me desejando-lhe êxito na sua experiência republicana e transmitindo-lhe os cumprimentos da imperatriz a dona Letícia. Como o senhor sabe, ambas têm a cidadania italiana.
Pedro de Alcantara
Elio Gaspari é jornalista
Gazeta do Povo, 21 de Maio de 2008
Vossa maçada chama-se meio ambiente. A minha chamou-se “livre navegação”. Remanchei o quanto pude para evitar que embarcações estrangeiras subissem o Amazonas. À época, sofremos enorme pressão internacional, sobretudo americana. Sei que por aí há uns grosseirões que ainda me chamam de “Pedro Banana”, um dissimulado sacerdote do atraso. Quero ser claro: ao lado das sinceras manifestações em defesa do meio ambiente há interessados em mutilar nossa soberania.
Conhecendo minha circunspecção e a maneira como pondero cada palavra, pois os monarcas não devem sair por aí dizendo tolices (os presidente podem), vosmicê avaliará minha preocupação. Quero trazer à memória do patrício uma encrenca do meu tempo.
Em 1850 o governo americano pediu-nos licença para que William Herndon, um oficial de sua Marinha, descesse o Amazonas com uma embarcação tripulada por umas dez pessoas. Falavam em “curiosidade científica” na busca de “conhecimentos geográficos”. Havia na Secretaria dos Negócios Estrangeiros quem quisesse negar a permissão, mas acabamos concedendo-a, pois sempre fui um soldado da ciência.
Outro dia o tenente Herndon me foi apresentado pelo general Vernon Walters. É um careca destemido e carrancudo. Na nossa conversa, voltou a reconhecer que estava atrás de outra coisa. O governo de Washington estudava a possibilidade de transferir a escravaria do Sul dos Estados Unidos para a Amazônia. Iam além: admitiam a possibilidade de instalar no nosso Vale o próprio empreendimento escravocrata americano. Se hoje os americanos falam em “protecionismo territorial”, em 1852 o tenente Herndon falava em “trabalho compulsório” para povoar o protetorado da Amazônia norte-americana.
Dissimule muito, esbraveje pouco, mas não ceda. O que eles querem é a nossa soberania. Em 1867, quando eu abri a navegação do Amazonas, os americanos não tinham mais escravos, pois a guerra civil acabara dois anos antes.
Despeço-me desejando-lhe êxito na sua experiência republicana e transmitindo-lhe os cumprimentos da imperatriz a dona Letícia. Como o senhor sabe, ambas têm a cidadania italiana.
Pedro de Alcantara
Elio Gaspari é jornalista
Gazeta do Povo, 21 de Maio de 2008
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Uma Por Dia...
"É de esquerda ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado."
Luis Fernando Veríssimo
Luis Fernando Veríssimo
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Um Pouco de Poesia
Meus dois poetas favoritos: Paulo Leminsk (curitibano) e Mario Quintana (gaúcho). Hoje deixo pra você um pouqinho de um deles...
Amor Bastante
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
Paulo Leminsk
Amor Bastante
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
Paulo Leminsk
segunda-feira, janeiro 07, 2008
O Sonho de Todo Governante
O sonho de todo governante é conseguir crescimento econômico, com estabilidade da moeda e distribuição de renda. O desafio real consiste em implantar um modelo econômico capaz de melhorar o padrão de bem-estar da população, eliminar a miséria e elevar o nível de renda das camadas mais pobres, tudo isso ao mesmo tempo e sem gerar inflação. Embora o sonho seja comum aos governantes ao redor do mundo, os caminhos para a sua consecução muitas vezes são diferentes. Entretanto, há algumas verdades que se tornaram consenso mundial, sobre as quais há pouca discordância: a inflação atrasa o desenvolvimento e causa empobrecimento; o déficit público é um mal; a abertura internacional melhora a produtividade interna; a proteção do direito de propriedade é decisiva para estimular os investimentos... Uma coisa é certa: o respeito a essas verdades, no gerenciamento da economia, não é compatível com o populismo econômico, que propõe soluções simples para problemas complexos e promete distribuir a renda sem, contudo, resolver o problema da criação de riqueza. Na raiz do populismo está a irracionalidade econômica, cuja essência é a promessa de melhorar a vida dos pobres por meio de políticas que, em geral, se opõem ao capitalismo de mercado, desrespeitam o direito de propriedade e levam a mais estatização, receitas certas para dificultar a criação de riqueza. A história tem demonstrado que, mesmo diante de repetidos fracassos, o populismo econômico tem imensa capacidade de retorno, a exemplo do que acontece na Argentina e em muitos outros países da América Latina, como mostram os últimos anos. Nos anos 50, Argentina, Canadá e Austrália tinham o mesmo nível de renda por habitante. Seguindo um figurino de respeito ao direito de propriedade e ampliação da liberdade econômica, Canadá e Austrália progrediram e desfrutam, hoje, de invejável posição econômica, praticamente sem miséria e com elevados padrões de vida. Ao abraçar as receitas populistas do peronismo, estiolando a economia de mercado, inchando o Estado e agredindo o direito de propriedade, a Argentina conseguiu a façanha de empobrecer e abandonar o clube dos países desenvolvidos, do qual fazia parte. Na recente eleição, que elegeu a mulher do presidente Kirchner, receitas populistas foram o mote da campanha, confirmando que aqueles que não aprendem com a história tendem a repeti-la como farsa. Sonhar o sonho certo é importante, mas não é suficiente. Mais importante é mobilizar os meios adequados e executar as políticas capazes de torná-lo viável. De certa forma, é crença geral que o capitalismo de mercado é o melhor instrumento que a humanidade inventou para a criação de riqueza. Todavia, a persistência de focos de aguda pobreza alimenta o discurso populista, que tende a ver no próprio capitalismo o responsável pelas mazelas sociais, quando na prática é a máquina de distribuir, o governo, que cumpre mal o seu papel. Em países similares ao Brasil e Argentina, onde o Estado extrai mais de um terço da renda da sociedade, a pobreza é, acima de tudo, um problema governamental, que só pode ser combatido pela reforma do Estado que seja capaz de lhe dar rumo e eficiência.
terça-feira, outubro 16, 2007
Prós e Contras da melhor época do ano em Curitiba
O MELHOR DO INVERNO
Sopa no Acrótona (com vinho)
Olhar a geada de manhã
Chocolate quente
Dormir até mais tarde
Sauna com cheirinho de eucalipto
Hidromassagem
Final de tarde
Andar de meia dentro de casa
Assistir a pilhas de DVDs
Soltar fumaça pela boca
Namorar
Founde
Cafezinho na Boca
Usar Toca
Pijama debaixo da calça
Acender a lareira
Se enrolar no cobertor no sofá da sala
Pinhão com quentão
Desenhar nos vidros embaçados
Ficar parado no chuveiro quentinho
Sobretudo
Olhar a previsão do tempo - será que vai gear?
Preguiça
Fazer atividade física sem ficar morrendo
Caminhar no parque
Paisagem no campo
Café colonial
Encontrar os amigos
Sentar na frente da casa para pegar sol
Campanha do agasalho
Passar uns dias num chalé
Quentão com pinhão
Comer e comer
Chaleira apitando
Café com pão d'água quentinho
O PIOR DO INVERNO
Nariz escorrendo
Acordar cedo
Andar de moto
Levar choque nas superfícies metálicas
Tirar a roupa para entrar no banho
Sair do banho (mas eu tomo, viu!)
Vento gelado
Lavar carro
Chuva com vento
Pé molhado (meia, sapato, etc...)
Sentar na privada
Lábios rachados
Botar a mão na água fria para lavar o rosto de manhã
Janelas do ônibus fechadas (por causa do frio ou da chuva)
Pum dentro do ônibus (não dá para abrir a janela!)
Resfriado
Lavar a louça
Secar a roupa no varal
Orelhas doendo de frio
Ponta do nariz gelado
Joelho gelado
Preço auto das verduras e hortaliças
Sofrimento dos moradores de rua
Filas nos postos de saúde
Sopa no Acrótona (com vinho)
Olhar a geada de manhã
Chocolate quente
Dormir até mais tarde
Sauna com cheirinho de eucalipto
Hidromassagem
Final de tarde
Andar de meia dentro de casa
Assistir a pilhas de DVDs
Soltar fumaça pela boca
Namorar
Founde
Cafezinho na Boca
Usar Toca
Pijama debaixo da calça
Acender a lareira
Se enrolar no cobertor no sofá da sala
Pinhão com quentão
Desenhar nos vidros embaçados
Ficar parado no chuveiro quentinho
Sobretudo
Olhar a previsão do tempo - será que vai gear?
Preguiça
Fazer atividade física sem ficar morrendo
Caminhar no parque
Paisagem no campo
Café colonial
Encontrar os amigos
Sentar na frente da casa para pegar sol
Campanha do agasalho
Passar uns dias num chalé
Quentão com pinhão
Comer e comer
Chaleira apitando
Café com pão d'água quentinho
O PIOR DO INVERNO
Nariz escorrendo
Acordar cedo
Andar de moto
Levar choque nas superfícies metálicas
Tirar a roupa para entrar no banho
Sair do banho (mas eu tomo, viu!)
Vento gelado
Lavar carro
Chuva com vento
Pé molhado (meia, sapato, etc...)
Sentar na privada
Lábios rachados
Botar a mão na água fria para lavar o rosto de manhã
Janelas do ônibus fechadas (por causa do frio ou da chuva)
Pum dentro do ônibus (não dá para abrir a janela!)
Resfriado
Lavar a louça
Secar a roupa no varal
Orelhas doendo de frio
Ponta do nariz gelado
Joelho gelado
Preço auto das verduras e hortaliças
Sofrimento dos moradores de rua
Filas nos postos de saúde
quarta-feira, maio 30, 2007
UMA POR DIA...
Em homenagem ao querido Amigo, Companheiro de Luta, Irmão e Velha (a gente sabe o que é), Clemir Fernandes, vai aí um pensamento de autoria da grande poetisa brasileira Cora Coralina. Orgulho não somente de Goiás, mas também de todo o Brasil!
"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada, Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."
(Cora Coralina)