quarta-feira, novembro 01, 2006

Um pouco de Poesia

As Pombas
Raimundo Correia


Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...


Raimundo da Mota de Azevedo Correia nasceu em Barra da Magunça (MA), em 1859 e faleceu em Paris, França, no ano de 1911. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1897, mesmo ano em que secretariou a legação brasileira em Lisboa. O poeta forma, com Olavo Bilac e Alberto de Oliveira, a tríade fundamental do Parnasianismo brasileiro. Foi onsiderado por Manuel Bandeira como autor de “alguns dos versos mais misteriosamente belos da nossa língua." O soneto acima foi publicado no livro "Sinfonias", Livraria Editora de Faro & Lino - Rio de Janeiro, 1883.