segunda-feira, janeiro 07, 2008
O Sonho de Todo Governante
O sonho de todo governante é conseguir crescimento econômico, com estabilidade da moeda e distribuição de renda. O desafio real consiste em implantar um modelo econômico capaz de melhorar o padrão de bem-estar da população, eliminar a miséria e elevar o nível de renda das camadas mais pobres, tudo isso ao mesmo tempo e sem gerar inflação. Embora o sonho seja comum aos governantes ao redor do mundo, os caminhos para a sua consecução muitas vezes são diferentes. Entretanto, há algumas verdades que se tornaram consenso mundial, sobre as quais há pouca discordância: a inflação atrasa o desenvolvimento e causa empobrecimento; o déficit público é um mal; a abertura internacional melhora a produtividade interna; a proteção do direito de propriedade é decisiva para estimular os investimentos... Uma coisa é certa: o respeito a essas verdades, no gerenciamento da economia, não é compatível com o populismo econômico, que propõe soluções simples para problemas complexos e promete distribuir a renda sem, contudo, resolver o problema da criação de riqueza. Na raiz do populismo está a irracionalidade econômica, cuja essência é a promessa de melhorar a vida dos pobres por meio de políticas que, em geral, se opõem ao capitalismo de mercado, desrespeitam o direito de propriedade e levam a mais estatização, receitas certas para dificultar a criação de riqueza. A história tem demonstrado que, mesmo diante de repetidos fracassos, o populismo econômico tem imensa capacidade de retorno, a exemplo do que acontece na Argentina e em muitos outros países da América Latina, como mostram os últimos anos. Nos anos 50, Argentina, Canadá e Austrália tinham o mesmo nível de renda por habitante. Seguindo um figurino de respeito ao direito de propriedade e ampliação da liberdade econômica, Canadá e Austrália progrediram e desfrutam, hoje, de invejável posição econômica, praticamente sem miséria e com elevados padrões de vida. Ao abraçar as receitas populistas do peronismo, estiolando a economia de mercado, inchando o Estado e agredindo o direito de propriedade, a Argentina conseguiu a façanha de empobrecer e abandonar o clube dos países desenvolvidos, do qual fazia parte. Na recente eleição, que elegeu a mulher do presidente Kirchner, receitas populistas foram o mote da campanha, confirmando que aqueles que não aprendem com a história tendem a repeti-la como farsa. Sonhar o sonho certo é importante, mas não é suficiente. Mais importante é mobilizar os meios adequados e executar as políticas capazes de torná-lo viável. De certa forma, é crença geral que o capitalismo de mercado é o melhor instrumento que a humanidade inventou para a criação de riqueza. Todavia, a persistência de focos de aguda pobreza alimenta o discurso populista, que tende a ver no próprio capitalismo o responsável pelas mazelas sociais, quando na prática é a máquina de distribuir, o governo, que cumpre mal o seu papel. Em países similares ao Brasil e Argentina, onde o Estado extrai mais de um terço da renda da sociedade, a pobreza é, acima de tudo, um problema governamental, que só pode ser combatido pela reforma do Estado que seja capaz de lhe dar rumo e eficiência.