O fato de um negro chegar à presidência dos Estados Unidos é histórico.
O fato de os democratas reassumirem o controle dos EUA depois de oito horrendos anos de Bush me anima.
Mas o que realmente faz com que eu fique empolgado com o futuro é o próprio presidente Obama que dia 20 de Janeiro tomou posse como o 44º presidente deste país.
Acompanhei a eleição norte-americana, os debates, a coberura da impressa e li o máximo que pude do que ele escreveu, além de ouvir suas declarações, comícios e entrevistas com bastante atenção. Afinal de contas, gostaria de fazer uma decisão coerente sobre quem deveria merecer meu voto. Assim fiz também com o candidato republicano João McCain porém, confesso, que desde o princípio, McCain não me atraia...não creio que teria coragem de arriscar em mais quatro anos de outro "Bush" na Casa Branca!
Sobre o que li e ouvi, em tudo o que Obama disse ou escreveu, percebi um ponto principal: o equilíbrio. Ainda hoje, três dias depois de ser empossado no cargo, ele ainda me parece agir com esta mesma característica.
Alguém já disse que devemos evitar aqueles que peroram. Os que têm solução pronta para tudo. Que nunca duvidam de si mesmos nem de seus pontos de vista. Não deixe tal atitude ser confundida com firmeza, liderança ou convicção. Assemelha-se, isto sim, muito mais com prepotência, arrogância e, acima de tudo, engodo e mentira - pura e simplesmente. São pessoas que falam o que os outros querem ouvir e assim consegue aprovação de todos que, por ser favorável, não questionam suas posições ou afirmações, pois elas, afinal de contas, coincidem com o que pesam ou querem. É um jogo que eles sabem jogar com maestria e que os outros envolvidos no jogo, nem percebem , estão perdendo!
Obama está longe disso. Seu livro de campanha, "A Audácia da Esperança" (The Audacity of Hope - publicado em 2006), é um achado: ao mesmo tempo em que é firme e correto, o então senador de Illinois, consegue ser humilde e mostrar que, sim, tem dúvidas sobre muitas coisas.
Estou cheio de políticos - e principalmente de comentaristas políticos - que acham ser os donos da verdade e terem respostas para tudo e para todos.
Obama já mostrou que quer ouvir gente de todo lado inclusive republicanos. Que quer ser plural. Que não se põe acima do bem e do mal. Que não detem o monopólio das respostas e das soluções. E isso significa muito. É um avanço e tanto em relação à arrogância da maior parte dos políticos sejam eles brasileiros ou americanos.
Agora é o momento quando vamos ver estas palavras tornando-se realidade. Bush chegou a Casa Branca, especialmente em seu segundo mandato, dizendo "I am a uniter, not a divider" - "Eu sou um unificador e não um divisor", não preciso elaborar muito para mostrar como esta máxima tornou-se uma das maiores falícias de seu governo.
Como diz em seu livro e como vimos por toda a campanha de Obama, "Hope", esperança em inglês, contagiou os americanos que acreditam em Obama para nos tirar do buraco sem fundo no qual Bush nos empurrou e, por consequênica, outros países na economia global que vivemos.
Eu acredito! Por que não? Afinal, não a esperança a última a morrer?
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